Mundo minúsculo

É o artesanato do minúsculo, técnica surgida no Japão da época dos Samurais onde o talento estava na firmeza das mãos e na astúcia dos olhos.

É impressionante o talento e a capacidade criativa do artesão Felipe Amazonas, 43, de transformar pequenos grãos de arroz em verdadeira obra de arte. Para tanto, o artesão dispõe de um bem que poucos conseguem ter: precisão cirúrgica nas mãos e visão de águia, usados para desenhar palavras no quase minúsculo grão e ganhar a vida por um método nada convencional.

O artesanato do minúsculo é uma técnica surgida no Japão da época dos Samurais onde o talento estava na firmeza das mãos e na astúcia dos olhos. A técnica é uma clara demonstração de habilidade e uma prova de fogo para a vista que, embora se assemelhe a da água, já se apresenta um tanto que cansada.

Felipe não é nenhum samurai, muito menos descende de algum clã oriental. No entanto, ele executa esse trabalho curioso e paciente de escrever nomes em grãos de arroz com a mesma competência de Itto Ogami, com a espada na mão, ao lado de seu “filhote”, Daigoro, na série de tv dos anos 70 – “Lobo Solitário”. Quem, na casa dos 40 anos de idade, não lembra?

Lobo solitário à parte, para quem não conhece a arte, até pode parecer meio sem sentido ter seu nome escrito em algo tão pequeno e depois não conseguir ler. Na verdade, aí é que reside o charme desse artesanato, explica Felipe. “É uma comunicação insuspeita”.

Não é sempre, mas Felipe vai à feira da Eduardo Ribeiro aos domingos. Lá, ele puxa uma caixa e derrama os grãos de arroz. Sobre ele, uma placa com os dizeres: “escrevo nomes em um grão de arroz”. Em alguns minutos, a platéia está formada: todos querem ver como é possível escrever no menor dos cereais. E Felipe garante que escreve até o “Pai Nosso” completinho.

O artesão conta que essa arte já lhe sustentou quando morou em São Paulo e que no Brasil são poucos os artistas que se dedicam a essa arte. Hoje, Felipe ganha a vida como professor de concursos públicos, mas vez ou outra ele vai à feira onde exercita as mãos e ainda ganha uns trocados – coisa de artista nômade.

Mimo

Antônio conta que a técnica de escrever nomes de pessoas em arroz para fazer colar ou chaveiro aprendeu por acaso, quando tinha 14 anos. “Eu aprontei alguma coisa que não lembro e a minha mãe me castigou. Ela me deixou trancado no quarto, como eu não tinha o que fazer, comecei a desenhar no arroz e gostei”, relembra.

Com muita criatividade, Felipe desenvolveu suas próprias ferramentas de trabalho. Foram várias tentativas para chegar ao produto final, principalmente, com a cápsula que armazena ao arroz. Francisco trabalha, além das ferramentas de construção, com matéria-prima formada por semente, borracha, arroz, caneta, canudo de plástico, linha, e corrente.

Em menos de um minuto, escreve um nome em um grão de arroz. A semente fica dentro de um pequeno vidrinho e serve para ser usada como pingente em correntes, brincos e pulseiras.Apenas isso é essencial para a construção dos chaveiros e colares que vende a R$ 7, cada, e somente gravado no arroz, R$ 2. Além do trabalho na feira, Antônio faz lembrancinhas para casamento. E não poderia ser mais apropriado e criativo presentear arroz com o nome dos pombinhos aos convidados.

Ele faz em média 10 a 15 peças que ficam prontas em questão de segundos. Para montar o adorno, utiliza uma massinha para grudar o grão. Em seguida, escreve com pincel o nome da pessoa. Com o auxílio de uma seringa, ele injeta um líquido tipo silicone. “Isso ajuda a conservar o produto e ainda facilita a leitura no pequeno grão de arroz.”, comenta.

Esses são alguns trabalhos artesanais que artistas “nômades” fazem para aumentar a renda familiar, ou simplesmente por hobby. Além de ter um dom nato, é preciso técnica, habilidade e bastante paciência para que, no final, o trabalho agrade à clientela. Para fazer a arte, o artista utiliza canetas de pontas simples, em geral, de cor preta ou azul. O resultado sempre agrada.

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