No caminho da cura

A Reserva Florestal Adolpho Ducke, situada na estrada AM-010, guarda na sua vasta e densa área florestal uma quantidade enorme de plantas desconhecidas com potencial antimicrobiano. Cura para doenças, como leucemia, furúnculos, trombose, diarréias e aquelas desenvolvidas na cavidade oral, pode ser encontrada de graça na natureza amazônica.

A descoberta de pesquisadores da Fundação de Hematologia do Amazonas (Fhemoam) e Universidade Federal do Amazonas (UFAM), alerta para a necessidade da preservação da rica e desconhecida floresta. “Muitos vegetais desconhecidos com potencial fitoterapêutico desaparecem com a devastação”, disse a dentista Ana Lúcia, que participa de projeto de coleta há seis meses.

Na Reserva Ducke, o grupo conseguiu encontrar 12 espécies com ação biológica nunca estudada. A equipe é financiada pelo Conselho Nacional de Pesquisas (CNPQ) e faz parte da turma do químico do INPA, Adrian Martin Pohlit.

Quanto ao nome das plantas, infelizmente, não será divulgado porque não foi difundido em revista científica e nem está em processo de patente.

O segredo visa proteger a descoberta contra empresas que se apoderam ilegalmente do conhecimento científico. Entretanto, Ana Lúcia garantiu que os interessados terão acesso ainda neste ano às propriedades químicas e biológicas de cada uma delas, por meio da revista Memória Instituto Oswaldo Cruz e pela internet, com o título “Screening of Amazonian Plants from the Adolpho Forest Reserve (Manaus-AM) for Antimicrobial Activity”.

As espécies estudadas têm poderosa ação contra microorganismos, como o Mycobacterium Smegmatis, que é um modelo de tuberculose; Echerichia Coli, freqüente em diarréia; Streptococcus Sanguis, bactérias da cárie dentária e Staphylococcus Aureus, muito comum em furúnculos e infecções hospitalares.

Pelo menos quatro plantas desconhecidas pelas pessoas têm ação antitumoral, úteis para a cura de tumores no cérebro, de mama e cólon. A farmacêutica, Viviana Maria identificou em laboratório do Fhemoam, plantas que inibem o crescimento de trombas (coágulos).

O medicamento que é vendido na indústria farmacêutica a pacientes com trombose é a aspirina. “Existem pessoas que têm resistência à aspirina; por isso precisam de alternativas”, Comenta Viviana.

Secagem das folhas

Os pesquisadores já vêm catalogando inúmeras espécies da Reserva Ducke durante seis meses. Todas as plantas são registradas por um banco de dados. O nome científico de cada uma delas é colocado em planilhas e os estudiosos fazem um levantamento na Internet para saber se já existe algum estudo anterior das plantas.

Quando elas são desconhecidas na rede mundial de computadores, o grupo seleciona as espécies e com a ajuda de um mateiro, um mapa e uma bússola, eles localiza a placa da espécie e extrai uma parte da vegetação para fazer a identificação química e biológica no Laboratório de Fitoquímica do INPA.

O Extrato consiste em extrair das espécies selecionadas substâncias bioativas. A experiência passa pela secagem das folhas, moagem, extração e por último, solver o material em etanol, clorofórmio ou álcool. Ao final de todo o processo, Ana Lúcia avalia a atividade microbiana e tóxica dos vegetais.

Da fonte à extração

A experiência no matagal rendeu valiosa experiência à dentista Ana Lúcia. Para ela, o profissional da saúde não tem hábito de ir a campo, pois já é acostumado a ver o produto na sua frente. “Nessa tarefa, temos que ir à fonte até chegar à extração. É uma experiência necessária e vale a pena”, diz Ana Lúcia, que se diz encantada com a grandeza da Reserva Ducke.

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