Pero Vaz de Caminha não viu nada – por Ismael Benigno

Durante a semana, em entrevista a uma rádio local, o senador Arthur Neto avaliava o que temos visto no Amazonas há bem mais de vinte anos. Arthur fora provocado a falar sobre a história da Cigás, empresa pública amazonense gentilmente cedida ao empresário Carlos Suarez por R$ 3 milhões, e que vai ficar com as obras do gasoduto dentro de Manaus por cerca de R$ 80 milhões. Carlos Suarez é amigo de Gilberto Miranda. Não há negócio mais rentável na bolsa de valores do que investir no Amazonas. Só aqui se investe R$ 3 milhões e se ganha R$ 80 milhões.

Gilberto Miranda é aquela forma decadente de vida que o grande estado do Amazonas transformou em Mum-Rá, “o de vida eterna”, empresário paulista que foi amigo de infância de praticamente todos os governantes deste estado-irmão de São Paulo, o pujante Amazonas. Gilberto aconselhou Alexandre, O Grande, assistiu as cruzadas cristãs, acompanhou os jogos olímpicos da Grécia Antiga, testemunhou a revolução russa e a queda do muro, foi suplente de Dom João VI no século 19, financiador de campanha de Eduardo Ribeiro, compadre de Tenreiro Aranha e colega de classe de Antônio Constantino Nery.

O senador tucano chamava atenção para as fortunas que brotam como tiririca no nosso estado. Diferente de outros países, no Brasil as fortunas nascem da política. Pés-rapados, malandros, biscateiros, traficantes, assassinos e estelionatários, todos lisos, ficam ricos com a política. Estes midas de 1,5m de altura, deputados petistas que mais parecem aqueles homenzinhos que tocam teclados Yamaha nos bregas das quebradas de Santarém, transformam em ouro tudo em que tocam. Ganhando R$ 12 mil (afora verbas de gabinete, indenizações, bolsas Mont Blanc, motoristas, gasolina, tíckets de alimentação, emprego de parentes…), conseguem comprar barcos, prédios, hotéis, concessionárias de automóveis, boates, jornais e tudo mais que apenas figuras como Michael Bloomberg, o bilionário prefeito de Nova Iorque, poderiam comprar.

Não é difícil entender a composição da terra tão fértil que temos aqui. Primeiro e mais importante, relega-se a população à histórica dependência dos governos por meio do analfabetismo e da miséria. Depois arruma-se documentação para a abertura de empresas, encomenda-se talões de notas fiscais, agendam-se reuniões com os governantes e deputados. Com sol abundante e água, a coisa cresce feito carrapicho.

Mas é necessário atenção, senão a plantinha da fortuna não floresce. Os jardineiros do dinheiro público são atentos. Basta checar os carrões estacionados na Sefaz, na Junta Comercial, na Receita Federal, no caixa Bradesco da SEAD. Ô gente batalhadora!

Junte o solo fértil do Amazonas, jardineiros fiéis, o adubo das amizades, sol e água, e as formas decadentes de vida se transformam em seres eternos, como Gilberto Miranda.

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