Cesarianas matam mães no Brasil


Índices internacionalmente considerados “aceitáveis” para a mortalidade materna seriam de uma mãe morta para cada cem mil partos, mas no Brasil a média é de 25 mães mortas

Recentes pesquisas realizadas por instituições vinculadas à ONU atestam que o Brasil é um dos campeões mundiais de mortalidade materna – conseqüência direta do país ser um dos líderes mundiais de cesarianas desnecessárias.

Os dados obtidos pela pesquisa são alarmantes pelo fato de as autoridades pesquisadoras haverem descoberto que apesar dos avanços obtidos nas ciências médicas ao longo dos dois últimos séculos, o quadro hospitalar brasileiro na área da obstetrícia parece estar regredindo aos índices do início do século 19, quando a taxa de mortalidade entre as parturientes era extremamente alta, só perdendo para os índices da mortalidade infantil.

Segundo dados da ONU, os índices considerados internacionalmente “aceitáveis” para a mortalidade materna seriam de uma mãe morta para cada cem mil partos. Todavia, no Brasil, a média é de 25 mães mortas em cada lote de cem mil partos, com menor ocorrência nos Estados das regiões Sudeste e Sul e maior incidência nas regiões Norte e Nordeste.

Os pesquisadores da ONU, também, descobriram que, em geral, durante a gravidez, as mães brasileiras não fazem ou não completam a série de acompanhamentos médicos conhecidos como “exame pré-natal” por motivos diversos. Entre esses motivos, estão o desconhecimento por parte da própria mãe e a dificuldade de acesso aos cuidados médicos, não raro, por ausência ou omissão dos próprios médicos.

Segundo essas pesquisas, no caso da injustificada alta mortandade materna, foram levantadas várias causas, sendo as principais a falta de atendimento médico por várias razões, como ausência de médicos no local ou descaso no atendimento pelos profissionais de saúde; as péssimas condições de higiene vigente na maioria dos hospitais públicos brasileiros, o que leva muitas parturientes a serem vitimadas por infecções evitáveis; a corrupção dos médicos, enfermeiros, anestesistas e burocratas dos hospitais públicos, ou de previdência privada, que para ganharem alguns trocados a mais ao realizarem um ato cirúrgico apelam desnecessariamente para as cesarianas.

Cesarianas viram mania

Na verdade, o excesso de cesarianas praticadas no Brasil virou uma verdadeira mania, pois enquanto nos demais países ela não atinge sequer 20% do universo de parturientes, aqui se pratica até 70% a 80% de partos cesarianos.

Essa constatação, segundo sugere a pesquisa, contraria todos os aspectos científicos, humanitários, éticos-morais e até sob o aspecto econômico chega a ser uma vergonhosa aberração que depõe contra a competência e responsabilidade dos médicos brasileiros.

E mais: além do fato de pôr em risco, desnecessariamente, inúmeras vidas de mulheres que, se não fossem essas práticas impunes e acobertadas pelos próprios conselhos regionais de medicina, escapariam com vida e sem maiores seqüelas após cada parto e poderiam continuar cuidando normalmente das suas proles.

Pior no Amazonas

A equipe do REPÓRTER conversou com várias mães na faixa etária compreendida entre 18 e 35 anos e de condições sociais diversas, que utilizam os serviços dos ambulatórios, clínicas e hospitais da rede pública e verificou que os dados da pesquisa citada se confirmam.

Mais da metade das entrevistadas foi induzida a trabalhos de parto cesariano pelos médicos e enfermeiras que as atenderam, sem ter noção do risco de vida que correm ao aceitar essa prática, embora algumas delas tenham ouvido notícias de mães que morreram durante os partos, mas não souberam explicar quais as causas.

Um desdobramento desses mesmos estudos realizados no mundo inteiro por encomenda da ONU também deram conta de altíssimos índices de mortalidade infantil verificados não só nas áreas mais pobres das grandes cidades brasileiras, mas igualmente, nas regiões do Norte e Nordeste, chegando em alguns casos à estarrecedora marca de 50 óbitos de crianças para cada mil nascimentos.

Esses índices só são comparáveis aos locais mais miseráveis do planeta, como Bangladesh, diversos países africanos e às áreas mais atrasadas da América Latina.

Alerta de perigo!

Essas constatações são tão graves que um verdadeiro “alerta de perigo de morte” deve ser levado em conta pelas famílias cujas mulheres grávidas tenham de utilizar qualquer tipo de serviço médico no Brasil, Amazonas incluído.

Para começar, cada mulher deve conscientizar-se de que o parto cesário só deve ser realizado em situações de emergência e assim mesmo, se houver risco de vida para a mãe ou para o bebê.

Portanto, as mulheres devem estar atentas à “indústria da cesária” que campeia à solta pelo país, quando maus médicos, ou péssimos profissionais da área da saúde, na ânsia de arrecadar alguns trocados a mais induzem mulheres a fazer cesariana sob várias alegações, pondo em risco as vidas delas.

Este recado serve também para os maridos e demais parentes de cada mulher grávida; se detectado caso de abuso por parte do médico ou indução indevida deste para a mulher fazer uma cesária desnecessária, o casal deve fazer imediata denúncia à Justiça, para que o mau profissional seja afastado da prática da profissão ou no mínimo, responsabilizado pelos seus atos.

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