Entrevista – Roberto Tadros

“comércio não terá o que vender no dia das mães”

A manutenção da greve dos auditores fiscais da Receita Federal por mais uma semana – ela já dura mais de 30 dias – pode comprometer o comércio de Manaus na maior data comemorativa depois do Natal – o Dia das Mães. E ainda: o trabalhador afastado do Distrito Industrial por causa da greve também não terá dinheiro para gastar nessa data. A informação é do presidente da Federação do Comércio do Estado do Amazonas (FCEAM), Roberto Tadros em entrevista durante almoço em que estavam presentes o presidente da Associação Comercial do Amazonas, José Azevedo, o presidente da Associação dos Importadores Djalma Castelo Branco e o advogado Gaetano Antonaccio. O quarteto discutia justamente o blackout que a greve deve provocar no próximo domingo e sobre o novo eldorado das compras dos amazonenses – a Zona Franca da Bolívia e política.

POR JOAQUINA MARINHO

REPÓRTER – A greve dos auditores da Receita Federal vai comprometer o comércio nesse dia das mães?

ROBERTO TADROS – Com certeza que vai afetar. Primeiro porque o comércio está desabastecido. Segundo porque o Distrito Industrial que trabalha com 100 mil funcionários e com ganhos de produtividade está dando férias coletivas e até desempregando. Assim há uma redução evidentemente da disponibilidade financeira do trabalhador para gastar no dia das mães e para o dia-a-dia porque está havendo redução da massa salarial. Tudo isso está afetando o comércio que vai ter mais prejuízos muito além do financeiro. Ele perde dinheiro porque vai ter que pagar o armazenamento da mercadoria durante a grave, embora esse prejuízo seja repassado para o consumidor, mas perde ainda mais na hora do cliente procurar o produto e não encontrar. Isso é que é triste, não tenha dúvidas.

REPÓRTER – Não satisfazer o cliente é o pior castigo para um comerciante?

RT – Não há dúvidas. Nessa hora além do consumidor não ter a mercadoria na quantidade que precisa e o lojista não ter como abasceter seu comércio, ainda há a história do repasse dos custos do armazenamento para o consumidor.

REPÓRTER – Já dá para estimar o prejuízo que a greve vai causar para o comércio?

RT – O grande prejuízo do comércio, na verdade, é o cliente ir na loja e não encontrar a mercadoria para comprar. Porque o lojista está ali preparado com seus funcionários para atender e não ter a mercadoria para vender. Deixar de atender ao cliente é o grande prejuízo de um lojista.

REPÓRTER – Antes da entrevista osenhor falava que a Zona Franca morreu antes da hora. O que quer dizer?

RT – O nosso setor comercial foi quem deu o start para o desenvolvimento da indústria no Amazonas e que gerou muitos empregos e muito ICMS. No ano passado num período de cinco a seis meses eu estive duas vezes no Acre e na Bolívia, em Cobia que fica na fronteira com Brasiléia, separada por uma pequena ponte. A quantidade de brasileiros que vi movimentando a Zona Franca de Cobia é impressionante. Parece um formigueiro de brasileiros vendendo e comprando. Cobia é uma cidade minúscula, paupérrima e não terá, nos próximos 50 anos a estrutura que Manaus tinha quando deu início a Zona Franca. Mas hoje ela está em franco crescimento e cada vez que eu vou lá me assusto e nós aqui parados. Isso é morrer antes do tempo.

REPÓRTER – O senhor acha que o próprio amazonense está se encarregando de matar a Zona Franca de Manaus?

RT – Sim, não é só o governo que está matando, mas o Manauaa, também, Ao retornar para Manaus de avião quando estou em Cobia, vejo aquela imensa quantidade de sacolas e caixas oriundas de lá, todas de amazonenses que estão comprando produtos da Zona Franca da Bolívia, da Venezuela.

REPÓRTER – Mesmo assim o senhor acha que a Zona Franca de Manaus ainda é viável?

RT – Sim, claro. Ela é viável se houvesse algum estímulo. Se criassem alguns mecanismos que facilitassem a nossa vida e revessem os tributos, as regulamentações e as exigências excessivas. A dificuldade que nós foi imposta estálevando o amazonense, o nortista a atravessar a fronteira e comprar os produtos dos países vizinhos para onde transferimos divisas.

REPÓRTER – Mudando um pouco o foco da conversa. Como senhor avalia esse estado de animo entre o governador Eduardo Braga e o prefeito Serafim Corrêa?

RT – Essa é uma briga política e nós somos empresários. É um tipo de conversa que deveria see feita com os políticos. Nós ficamos de longe assistindo essa briga sabendo que isso faz parte do jogo e que ela não será a primeira e nem a última. Sempre haverá isso por se tratar de pontos de vista divergentes, programas de partidos divergentes e a luta insessante pelo poder. Vejo isso com a maior normaliadde porque ao longo dos anos vi outras tertúlias políticas que fazem parte do jogo democrático.

REPÓRTER – É mais fácil governar um estado cuja a oposição foi cooptada?

RT – Só em ditadura se governa sem oposição. Ninguém gosta disso.

REPÓRTER – No seu entendimento, o governo faz o que quer pela falata de uma oposição forte?

ROBERTO TADROS: Honestamente eu entendo que os partidos são livres

para aderir ou não aderir. Se a situação está assim é porque os partidos políticos que aderiram ao governo confiam no programa do governador Eduardo Braga. Se formos analisar vamos chegar a conclusão que no mundo inteiro é assim, os partidos políticos elegem os presidentes e depois eles fazem coalisão. Então você assiste coalizão na França, na Itália, na Inglaterra, na Alemanha para que haja governabilidade e aqui está acontecendo a mesma coisa.

REPÓRTER – Quanto às denúncias que recheiam o governo Braga, o que o senho acha?

RT – O mundo é muito complicado e quem viveu como eu, já assistiu coisas do arco da velha. Eu me lembro quando criança de chamarem o governador Álvaro Maia de ladrão e ele morreu pobre. Só não morreu pior porque se elegeu senador da República, mas ao término do mandato dele ele foi morar em um porão na praça São Sebastião de favor e só andava a pé, o coitado durante 15 a 18 anos. Esse era o ladrão?

REPÓRTER – Isso pode servir de exemplo?

RT – Para mim sim. É uma experiência que eu trago comigo de como na política, as pessoas são, as vezes, incriminada injustamente. Como eu não faço parte de partido político, deixo isso a critério dos políticos. Acho que cabe o ônus da prova a quem alega.

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