Prefeitura aluga usina que vale R$ 600 mil por R$ 3 milhões

O primeiro é a grande quantidade de asfalto – 200 mil toneladas, suficientes para asfaltar, com sobra, toda a AM-010, que liga Manaus a Itacoatiara

O prefeito Serafim Corrêa (PSB), que durante mais de três anos ouviu com o mesmo espírito de renúncia dos mais autênticos estóicos, como Sêneca, todas as formas de críticas, provenientes, é claro, dos buracos espalhados nas ruas da cidade, cansou de sofrer e de ficar acuado lá no seu escritório de trabalho no bairro da Compensa.

Agora, mais alegre e, também, mais afoito, a ponto de encarar de frente e de perfil o governador Eduardo Braga, que comparou Manaus a uma tábua de pirulito, Serafim Corrêa mandou para a televisão, sabe-se lá, por quanto, um boneco desenxabido, na forma de rolo compressor, para dizer que o prefeito, independentemente das condições atmosféricas, vai encarar os buracos com muito piche e asfalto.

E pra quem acha que o prefeito está brincando é melhor ir logo mudando de idéia, porque, para quem não sabe, Serafim contratou nada menos do que 200 mil toneladas de AAUQ, que significa areia asfáltica usinada à quente – popular asfalto.

A vontade do prefeito Serafim Corrêa de liquidar com uma só cajadada os buracos da cidade é de tamanha voracidade que parece mesmo que virou obsessão.

Segundo informação trazida ao REPÓRTER, sexta-feira, 01, pelo deputado Ângelo Figueira (PV), Serafim Corrêa, alocou, através do Edital de Pregão Presencial Nº. 027/2008, aberto no dia 28 de abril, às 8h30, uma usina de asfalto móvel e equipamentos auxiliares por R$ 3.618.369,60 pelo prazo de 12 meses.

Mas a ordem não é acabar com a buraqueira? Não é com piche, areia e asfalto que se acaba com buracos? E não é na usina que se prepara a massa asfáltica? Então, qual o problema?

Etam, WP, Pavinorte e PR

Segundo Ângelus Figueiras, vários.

O primeiro é a grande quantidade de asfalto – 200 mil toneladas, suficientes para asfaltar, com sobra, toda a AM-010, que liga Manaus a Itacoatiara – contratada para ser usada até o final do ano.

Todo esse asfalto, conforme demonstrou o parlamentar, serão fornecidos por quatro usinas, pertencentes às empresas Etam, WP, Pavinorte e PR, que pertencia ao ex-deputado Antônio Cordeiro. A PR entrou no lugar da Pampulha que estava inadimplente em função do recebimento de R$ 18 milhões pagos por obras fantasmas na região do Alto Solimões.

O segundo, de acordo com as convicções do deputado, que é engenheiro e ex-prefeito do município de Manacapuru, é com relação ao valor da locação, considerado, por ele, extremamente alto, escorchante, aviltante, salgado de tirar o couro ou seja lá o que for.

Pelos cálculos do deputado-engenheiro, o preço mensal que a prefeitura irá pagar pela locação de uma quinta usina de asfalto corresponde à metade de uma usina nova, ou seja, R$ 301.530,80. “O prefeito Serafim Corrêa precisa explicar urgentemente para a sociedade o porquê da locação de uma quinta usina por um valor excessivamente exorbitante”.

R$ 301.530,80 por mês

Ângelus Figueira garante que na melhor das hipóteses, o aluguel de uma usina que produz 120 toneladas de asfalto por hora custa no máximo R$ 50 mil por mês, portanto, bem abaixo da que foi alugada pelo prefeito, via Secretaria Municipal de Obras, Serviços Básicos e Habitação (Semosbh), por R$ 301.530,80 com capacidade para produzir apenas 80 toneladas por hora. “Essa é uma história que precisa ser explicada”, admite Figueira.

O terceiro e último problema está exatamente na necessidade de locação de uma quinta máquina já que para a operação tapa-buraco o município já dispõe de quatro para jogar 200 mil toneladas de asfalto nas ruas de Manaus.

“Eu gostaria de entender, sinceramente, a lógica, o critério técnico adotado pelo prefeito para alugar mais uma máquina para a operação tapa-buraco. Por mais que me esforce não consigo compreender. Os valores são altos, a produção é menor e o que é pior, a operacionalização da usina será da prefeitura”, observa.

Milleniunn e Emam

Pelas afirmações do deputado Ângelus Figueira, a prefeitura de Manaus, além da compra de todos os insumos necessários para produção de massa asfáltica, vai ter que encarar, também, a manutenção da usina para funcionar com eficiência.

Assim, resta ao locador esperar, deitado, a nota de serviço, o empenho e o chegue de R$ 301.530,80 por mês. E, se quiser, o no final do contrato, comprar pelo menos mais cinco novas usinas sem fazer força com o dinheiro do contribuinte.

Ângelus Figueira disse que ainda não tem certeza, mas mesmo assim ele fez questão de adiantar que a quinta usina teria sido alugada do proprietário da empresa Milleniunn e Emam, Ivair Ferreira.

Quanto ao valor do contrato com as empresas Etam, WP, Pavinorte e PR, ganhadoras da licitação para fornecimento de 200 mil toneladas de asfalto, Ângelus Figueira garante que é de R$ 72 milhões – uma fatia de R$ 18 milhões para cada uma delas.

No final da entrevista, ele reafirmou que 200 mil toneladas de asfalto daria para asfaltar todos 260 quilômetros da Manaus Itacoatiara e ainda sobrariam pelo menos 80 mil toneladas de asfalto.

Veja o cálculo:

260.000 metros x 8 = 208…..

208 x 0,03 = 60.00..

60.000.. x 22 =120.000 t

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