Terminal pesqueiro já está inviável

Terminal pesqueiro deveria estar concluído em setembro de 2006, conforme foi anunciado quando da assinatura do convênio no valor de R$ 14 milhões, firmado entre o Ministério dos Transportes e a Prefeitura de Manaus

O terminal pesqueiro de Manaus, projetado para estocar 200 toneladas de pescado, já está com sua capacidade comprometida antes mesmo de ser inaugurado uma vez que em Manaus é desembarcado algo em torno de 100 toneladas de peixe por dia.

“Corremos o risco de jogar fora 25 anos de luta pelo terminal pesqueiro porque sua capacidade não vai atender às necessidades dos pescadores e nem da população”, comentou Wilson Ribeiro, presidente da Colônia dos Pescadores de Manaus. Para ele, o terminal precisaria estocar cerca de 1200 toneladas de pescado para permitir a garantia de estoque no período da entressafra, entre os meses de janeiro a junho, quando o consumo aumenta e os preços se elevam.

Segundo Ribeiro, o atraso nas obras do terminal afeta diretamente os pescadores porque o município não dispõe de um local adequado para comercializar o produto e, também, a população, que fica sem estoque regulador para garantir o consumo de peixe durante o ano todo.

O presidente da colônia disse que a maior quantidade de pescado é capturada nos meses de agosto, setembro e outubro, quando o terminal já deverá estar concluído para garantir a estocagem do produto.

“Depois desses meses de abundância, começa a entressafra, quando vamos precisar armazenar para garantir o consumo”, explica Ribeiro, informando que Manaus possui grandes frigoríficos, mas que, devido a interesses comerciais, não armazenam peixes de consumo popular, como jaraqui, pacu e curimatá. A produção dos frigoríficos particulares está voltada para a exportação e venda em outras regiões do país.

Wilson Ribeiro lembrou, ainda, que a simples construção do terminal não vai garantir o abastecimento de pescado em Manaus. Para ele, é necessário, também, criar uma política que garanta a comercialização do pescado por preço mínimo, estabelecida por lei, para que os pescadores comercializem o produto com alguma margem de lucro. “Os pescadores são os que menos ganham. Quando capturam muito peixe, o mercado está saturado e quando o mercado está bom, falta peixe”, analisa o presidente da colônia.

Conforme explicou Ribeiro, a política de pescado deveria atender aos interesses tanto dos pescadores quanto dos consumidores, porque ambos são prejudicados pelo desperdício de peixe nos meses mais abundantes. O peixe que é vendido a preço baixo no período da piracema, fica muito caro nos meses em que a população mais consome o produto, seja por questões culturais ou religiosas, concluiu.

Secretário dá razão aos pescadores

O secretário Paulo Ricardo Farias, da Semosbh, disse que a estrutura física do terminal pesqueiro de Manaus não tem condições de ampliar sua capacidade de armazenagem, de 200 toneladas para 1200, como pleiteiam os pescadores. “Eu concordo com o pleito dos pescadores, mas temos de concluir a obra da forma como ela foi conveniada”, diz o secretário.

Segundo Paulo Farias, o melhor é concluir a obra e depois correr atrás de novo convênio para construir um terminal que atenda às exigências de pescadores e da população. O secretário garantiu que até setembro a parte física do terminal será concluída e, a partir daí, a obra passa para a administração da Secretaria de Pesca, do governo federal.

De acordo com o secretário, o convênio assinado entre prefeitura, governo do Estado e União, colocou a cargo da Semosbh a construção física da obra, e a infra-estrutura do prédio, sob a responsabilidade da União. “Quem vai instalar as câmaras frigoríficas e definir como será o gerenciamento do terminal vai ser a Secretaria de Pesca, que é quem entende de peixe”, afirmou Paulo Farias.

Obras atrasadas há dois anos

O terminal pesqueiro de Manaus deveria estar concluído em setembro de 2006, portanto, há quase dois anos, conforme foi anunciado quando da assinatura do convênio no valor de R$ 14 milhões, firmado entre o Ministério dos Transportes e a Prefeitura de Manaus, em março daquele ano. O projeto previa uma estrutura flutuante composta de três balsas, com capacidades para ancoragem de 51 embarcações e depósito refrigerado para armazenagem de 200 toneladas de pescado.

Segundo o projeto do terminal, também seriam construídos dois silos com capacidade para produzir 120 toneladas de gelo por dia, a fim de garantir o abastecimento aos pescadores em condições favoráveis de mercado. Na época, o prefeito Serafim Correa disse que a população da capital seria a grande beneficiária da obra porque o desembarque organizado possibilitaria a armazenagem e o estoque regulador.

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