Trabalhadores de verdade X aprendizes e estagiários – por Anhanguera

Abra qualquer jornal de Manaus e estará lá: “Precisa-se de estagiários”, ou: “Aprendizes”, ou ainda: “Aceita-se deficientes físicos”. As ofertas vão de A a Z e com essa estória bonita de darem uma “primeira chance” aos deficientes, ou aos jovens que estudam – principalmente nos cursos de nível superior – as empresas e até órgãos governamentais fazem uma baita economia em suas folhas de pagamento, além de gerarem mais um belo problema social, qual seja: os verdadeiros profissionais, os formados, que geralmente são pais ou mães de família, continuam formalmente desempregados e com o passar do tempo acabam aderindo à malta de trabalhadores informais que infesta as ruas de Manaus.

Traduzindo: Enquanto empresas e órgãos públicos empregam em caráter temporário pagando salários simbólicos a estagiários, aprendizes e deficientes mesmo que eles não tenham experiência nas funções que ocupam, os verdadeiros profissionais, os formados, os técnicos, os competentes, são relegados a segundo plano e permanecem desempregados. Para não morrerem de fome com seus familiares, vão trabalhar como seguranças em boates, vão ser camelôs, manicuras, ajudantes de pedreiros, vendedores ambulantes, ou montam mini-negócios como barraquinhas, ou se transformam em taxistas. Já muitas mulheres, apelam para a prostituição.

Todavia, agentes das oligarquias que dão as cartas no cenário trabalhista amazonense, anunciam que o mercado de trabalho local abrirá cerca de 2.800 vagas para “aprendizes”, “estagiários”, ou “deficientes” e mascara o problema do desemprego que nunca está abaixo de 20 % da população ativa de Manaus e essa medida não diminui esse índice e só incentiva à informalidade.

Mas não se pense que esses “estagiários”, “aprendizes”, ou “deficientes” são bem pagos; nada disto!” A maioria ganha salários simbólicos a título de “bolsa de estudos” e os deficientes, não raro, ganham salários de fome. E tudo com a conivente benção da representação local do Ministério do Trabalho, cuja função precípua seria fiscalizar sua jurisdição de modo a coibir este tipo de aviltamento da classe trabalhadora.

Quem ganha, quem perde – De cara, quem perde triplamente com essa disfarçada prática de semi-escravidão é o trabalhador, pois os que ficam de fora permanecem desempregados e os que são aproveitados nessas subfunções, além de ganharem vergonhosas merrecas, não pagam o INSS, prejudicando suas futuras aposentadorias.

O Estado também sai prejudicado, uma vez que estagiário não desconta INSS e quem ganha? Só alguns maus empresários que se aproveitam das leis casuístas permissivas de tais abusos e também alguns membros do governo, que lançam esse tipo de plano eleitoreiro para, o qual é apresentado para os desavisados como se fosse mais “uma conquista do trabalhador”, quando na verdade é exatamente o contrário disto.

Péssima qualidade – Contudo, há outro problema mais crucial nesta questão: Ao deixarem de contratar experientes e eficientes profissionais com formação técnica ou especializada em diversos setores, inclusive, o da saúde pública, da segurança, da educação, da prestação de serviços e muitos outros, essas vagas são preenchidas por jovens inexperientes que apenas recebem treinamentos mínimos, rápidos e o resultado final é que os serviços prestados tornam-se, à cada dia, dda mais péssima qualidade e aí quem perde novamente é o povão que é atendido pelos incompetentes.

Contudo, essa estória tem um reverso de medalha, se considerarmos que essa prática talvez fosse válida e bem mais econômica para os cofres públicos e o bem estar da população caso se tratasse de substituir todos os cargos eletivos e concursados desta República por estagiários, aprendizes e deficientes (inclusive mentais) nos cargos de governador, prefeito, deputado, senador, secretário e aspone, que não necessitam de formação nenhuma e nem requerem grande competência ou empenho por parte dos ocupantes dessas cadeiras.

É que, por exemplo, um gari tem que ser uma pessoa competente, um professor idem e um músico, muito mais. Já um político, um funcionário público, um puxa-saco, não e portanto, qualquer borra-botas pode exercer as funções que eles exercem, entendem?

Porém, o engraçado nesta estória toda é que essa prática imoral de subempregar estagiários, aprendizes e deficientes foi tentada anteriormente sem sucesso mas recusada até por governos como o de FHC. Todavia, no atual governo Lulalau – que desfralda a bandeira do Partido do Trabalhador (?!) – essa prática ilegal e imoral não só vem sendo legalizada, mas principalmente, incentivada e expandida.

Mas o engraçado não é isso e sim, que neste país dos absurdos, Lula e seu bando foram reeleitos com milhões de votos dos trabalhadores! Pasmem e depois dessa, o que é que vamos dizer lá em casa?

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