Entrevista – Fabrício Lima

“Serafim esburaca Manaus sem usar 1 catolé”

O vereador Fabrício Lima (PRTB), conversou com o REPÓRTER neste final de semana e, ao contrário do que dizem, ele garante que não é inimigo do prefeito Serafim Corrêa. Ao contrário disso, Fabrício destacou que o prefeito é pessoa honesta, embora discorde em todos os sentidos da forma adotada para administrar Manaus. Para ele, Serafim é honesto, mas incompetente.

REPÓRTER – Vereador, qual a sua relação com o prefeito Serafim Corrêa depois que deixou de fazer parte de sua base de sustentação política na Câmara de Manaus?
Fabrício Lima – Respeitosa.

REPÓRTER – Qual o seu conceito sobre a pessoa do prefeito?
FL – O prefeito não é uma pessoa desonesta. O problema é que não tem competência para resolver os problemas de nossa cidade. Por isso, faço oposição a ele. Nada de pessoal. O prefeito é pessoa extremamente zelosa com a coisa pública, mas em matéria de administração é um zero à esquerda. Até para escolher o secretariado ele foi incompetente. E o resultado é que a cidade está cheia de problemas.

REPÓRTER – Por que rompeu com o prefeito?
FL – Não rompi com o prefeito. Foi ele quem rompeu comigo. Comecei como um dos líderes do prefeito. Seis meses depois, ele mandou para a Câmara Municipal 20 vetos ao projeto de emenda à lei de diretrizes orçamentárias. Desse total, 14 vetavam emendas de minha autoria. Depois, fiquei sabendo que os meus projetos eram vetados pela base a que pertencia. Achei tudo isso estranho e resolvi procurar o prefeito. Sabe o que ele me disse? Que poderia decidir por aquilo que achasse mais correto.

REPÓRTER – O que o senhor fez?
FL – Fiz exatamente o que ele me sugeriu. Juntei-me à oposição e derrubei todos os vetos do prefeito. No dia seguinte, soube através do jornal que o prefeito tinha perdido de goleada. Por causa dessa goleada e pela manchete do jornal, fui convidado pelo secretário Roberto Campanhia a me retirar da base do prefeito.

REPÓRTER – O senhor foi convidado a se retirar ou foi expulso?
FL – Fui literalmente expulso da bancada do prefeito. E, hoje, a maioria dos vereadores que está do lado do prefeito Serafim Correa era da base do ex-governador Amazonino Mendes na eleição passada.

REPÓRTER – Na sua opinião, qual o maior pecado administrativo do prefeito Serafim Corrêa?
FL – A repactuação do contrato com a Águas do Amazonas. Essa repactuação, que nos últimos anos aumentou a tarifa em mais de 50%, só trouxe prejuízo à população. Eu fui vice-presidente da CPI da Água, e essa CPI mostrou que a Águas do Amazonas não cumpriu nenhum item do contrato, como 86% da cobertura de esgoto na cidade. Nós temos apenas 7 % desse serviço, dos quais 4% é da iniciativa privada. Infelizmente, o prefeito não conseguiu enxergar isso. Metade da população não tem água regularmente nas torneiras. Os outros 50% não têm água nenhuma. Na zona norte e na zona leste o que mais se vê é lata de água na cabeça. Isso é um atentando contra a dignidade da população.

REPÓRTER – Mas o prefeito tem se esforçado em resolver o problema?
FL – Será que propaganda resolve o problema? Chega a ser irritante aquele outdoor da Secretaria de Comunicação, em página dupla, escrito “coragem”. Coragem? Só se for pra mentir para população, já que essa água não veio.

REPÓRTER – Desde o ano passado, o prefeito tem renovado a frota de ônibus com novos veículos. Na administração Serafim Corrêa melhorou o sistema?
FL – Mudou apenas o nome das empresas. Elas continuam as mesmas, nas mesmas garagens, com os mesmos paus velhos, que ficam no prego no meio das ruas, que não têm horário para passar. Os terminais de integração estão super-sucateados, todos abandonados. Eu digo isso de carterinha porque procuro andar de ônibus para entender a realidade do sistema e do usuário.

REPÓRTER – Qual a sua conclusão?
FL – Pra você ter idéia do tamanho do absurdo que é o sistema de transporte coletivo de Manaus, a última vez que andei de ônibus peguei a linha que sai da praça da Matriz para o terminal da Cidade Nova. Sabe quanto tempo levei para chegar lá? Uma hora e meia. Um absurdo que nos leva a crer que o cidadão passa mais tempo nos terminais e paradas de ônibus do que no seu próprio trabalho. A verdade é que o prefeito brindou as empresas de transporte coletivo e a Águas do Amazonas com repactuação de contratos, a partir de novas licitações. Aí, sim, é preciso que o usuário tenha coragem e paciência para suportar tanta ineficiência.

REPÓRTER – E por que o prefeito cedeu a essas empresas?
FL – Por que não tem pulso para enfrentar os tubarões. Falta ao prefeito coragem e competência para resolver problemas.

REPÓRTER – Mas o prefeito tem 32 secretários e 32 vice-secretários. Não está bem assessorado para resolver problemas?
FL – Na prefeitura tem muito cacique para pouco índio. Todos querem mandar, mas ninguém quer fazer nada. Resultado: secretarias cheias de problemas e cidade mal administrada. A prefeitura não tem planejamento. O Plano Diretor está vencido. O prefeito Serafim Corrêa jamais se preocupou em discutir o Plano Diretor com a sociedade, com a Câmara Municipal, com o Ministério Público, etc. Por isso, a cidade cresce desordenadamente. Eu lhe digo, todavia, que a administração Serafim Corrêa é um grande equívoco, seja na área da educação, seja na área da saúde ou do laser. Em quase quatro anos como prefeito de Manaus, o Serafim não construiu uma única quadra de esporte na cidade.

REPÓRTER – Além de competência, o que falta no prefeito para administrar problemas?
FL – Habilidade. O prefeito Serafim Corrêa é inábil para quase tudo. Foi assim com a interdição do Mercado Adolpho Lisboa. Sempre coloca as questões pessoais acima de qualquer coisa. Ele chegou ao cúmulo de dizer que a interdição do Adolpho Lisboa era coisa do Amazonino. Isso mais parece paranóia.

REPÓRTER – O aspecto da cidade, com ruas esburacadas, por exemplo, tem a ver com o que o falou do prefeito?
FL – Sim. E por falar em buracos, recentemente ouvia na Ponta Negra um comentário de que o Bin Laden estava muito chateado com o Serafim Corrêa. Chateado porque ele precisou de dois aviões para derrubar as torres gêmeas e o Serafim não soltou nenhum catolé e conseguiu esburacar a cidade toda. A cidade está em estado de calamidade, essa é a verdade. O secretário Paulo Farias disse na Câmara de Manaus que tapar buracos era a coisa mais importante que iria acontecer; que a terceirização da operação tapa-buraco iria resolver o problema; que as novas empresas iriam dinamizar o trabalho; que as coisas iriam acontecer de forma mais moderna. Infelizmente, nada disso aconteceu. As empresas faliram e a cidade está toda esburacada.

REPÓRTER – No início desta entrevista, o senhor comentava sobre o tratamento que é dado pela prefeitura aos garis. Qual o problema?
FL – Os garis começam a trabalhar às 7h30 e vão até às 18 horas. Isso daí dá mais de oito horas. Tenho informação de que recebem apenas R$ 4,00 por dia para almoçar e fazer um lanche. Fui informado, também, que recebem 22 vales transportes por mês para trabalhar de domingo a domingo. Tenha paciência. Gari não é alquimista. Essas pessoas não são tratadas com um mínimo de dignidade. Já acionei a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal e devo procurar, também, o Ministério Público Estadual para que averigúe o problema.

REPÓRTER – Qual o seu juízo sobre o escândalo Pampulha?
FL – Eu estive entre tantos que foram às ruas para pedir o impeachment do Collor. Mas na frente do Eduardo Braga e do Presidente Lula, o Collor é neném, uma criança. O caso Pampulha é mais um escândalo entre tantos, como o da Cema, é apenas a ponta do iceberg. É só você percorrer o interior que vai encontrar várias obras que foram pagas e não realizadas.

REPÓRTER – Sobre a política ambientalista defendida pelo governador Eduardo Braga no exterior, o que o senhor tem a dizer?
FL – Sei que ele criou o Bolsa Floresta que não atende a 10% da população que precisa. O valor é tão pequeno que não dá para comprar uma botija de gás, que em alguns municípios, vale R$ 60,00. O governador propaga para o mundo que está protegendo a floresta pagando R$ 50,00 para o nosso caboclo. Só que aqui nós sabemos que a realidade é outra. Ou seja, depois de viajar pelo mundo para dizer que já foi saci-pererê, curupira, boitatá, cobra-grande, mapinguari, o Eduardo Braga só não falou que é criador de gado – atividade que não condiz com o seu novo perfil de defensor da floresta amazônica.

REPÓRTER – Dos pré-candidatos a prefeito de Manaus, com quem o senhor não se aliaria?
FL – Com o Serafim Corrêa e com o candidato do governador.

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