Taí, “Segredos da Área 51″caía bem! – Ismael Benigno

Eu assistia a um daqueles documentários dos anos 90, que nossa tevê paga exibe como novidade, sobre os ONVIs e a tecnologia Stealth. Relevando o viés comumente patriótico dos documentários sobre certos temas (guerras, armas, construções etc.), foi possível ver algumas coisas interessantes, ainda que o meu grau de interesse em documentários americanos enlatados da década retrasada resida na minha paixão infantil por aviões de guerra.
Documentários enlatados sobre OVNIs são os filmes B da cinematografia chapa branca americana, mas confesso que me atraem, assim como filmes do Glauber Rocha e músicas tropicalistas do Caetano Veloso atraem estudantes engajados de universidades federais, mantidos com o dinheiro dos not-haves da nação e com o peleguismo aprendido, hoje em dia, desde a carteira escolar secundarista.
O problema é a associação freqüente que certos filmes têm com os geeks, os nerds da so called ufologia.
Mas este era apenas o mote do post. Eu gostaria de comentar o bloco inteiro do programa dedicado ao U2, aeronave que fotografou os silos de foguetes soviéticos em Cuba durante a crise dos 13 dias; ou o bloco inteiro sobre o F-117 (”o OVNI definitivo”), trazido a público pela Força Aérea Americana em 1988. O Projeto Negro, aliás, mereceu outro bloco sobre a primeira guerra do golfo, em 1991. O programa chegava a sugerir que a divulgação do bombardeiro invisível ajudara a precipitar o fim da União Soviética…
Enfim, o que eu queria comentar era o depoimento de um dos idiotas do programa, uma testemunha que deve ter vibrado com os caracteres “Estudioso de OVNIs”, que dizia a certa altura que o governo americano deveria abrir seus arquivos sobre o projeto Mogul, sobre a Área 51, sobre os experimentos de Roswell e sobre os testes realizados durante a pesquisa da tecnologia Stealth, que torna as aeronaves americanas (yeah) invisíveis aos radares dos ditadores do Oriente Médio.
“Precisamos convencer o governo americano que esses segredos não afetariam a segurança nacional”, dizia o Pesquisador de OVNIs.
Interessante como até em sua mais rasa idiotice os americanos têm bom senso sobre o que é segredo de segurança nacional. Talvez por isso, idiotas falando de OVNIs mereçam documentários enlatados na tevê americana. Até a idiotice americana sobre uma de suas especialidades, a segurança nacional, merece maior destaque do que a malandragem brasileira, segundo a qual gastos com uísque e camarão a bordo do avião presidencial sejam assunto de segurança nacional.
Convenhamos, filmes sobre terroristas árabes, soviéticos ou chineses (acredite, logo veremos Rocky Balboa lutando contra Ivan Shau Ling Drago em Rocky 83) tentando explodir o Força Aérea 1, caem melhor do que filmes sobre o Romero Jucá e a Ideli Salvati tentando proteger os gastos com quitutes a bordo do Força Aérea 51.

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