Figueira dribla governista e garante presença de Arthur na ALE

Como se pertencesse à elite governista, Figueira conseguiu aprovar requerimento que convida ninguém menos que o senador Arthur Neto a comparecer à ALE

O deputado Ângelus Figueira (PV), um dos mais empedernidos oposicionistas do governo na Assembléia Legislativa (Ale), vivenciou na última quinta-feira, 24, o dia mais tranqüilo da sua experiência parlamentar.
E como se pertencesse à elite governista, Figueira conseguiu aprovar, sem a mínima dificuldade e com os votos dos mais ardorosos defensores do poder, requerimento que convida ninguém menos que o senador Arthur Virgílio Neto (PSDB) a comparecer à ALE para tratar de temas de interesse do Estado, como a perda de terras do Amazonas para o Acre e a transferência da direção da Eletronorte para o Rio de Janeiro.
E, para completar o dia de graça de Ângelus Figueira, o senador tucano disse ao REPÓRTER que o convite deste está aceito.
Era tudo que Figueira desejava, não só para discutir com o senador a perda de terras do Amazonas para o Acre ou a transferência da Eletronorte para o Rio de Janeiro. O deputado verde deseja muito mais. Mais do que tudo, ele deseja colocar em pratos limpos as acusações feitas por Arthur Neto de que o governador Eduardo Braga (PSDB), ostenta o título de “governador ecológico da Amazônia” quando, na realidade, exerce atividade pecuarista na condição de dono de 3.374 cabeças de gado, em um investimento de R$ 700 mil.
Ainda com relação aos bois do governador, Figueira foi enfático ao afirmar que se todas as denúncias contra Braga forem confirmadas por Arthur, como a venda de gado sem nota, no final da reunião ele sai da ALE direto para o Ministério Público para representar contra o governador.
“O Amazonas não merece estar nas páginas policiais dos jornais. A presença do senador Arthur Neto na Assembléia é uma boa oportunidade para que essa questão seja esclarecida. O que não dá para admitir é que o governador guarde os bois que tem na fazenda do ex-deputado federal Márcio Bittar, que mantém dois empregos públicos no Amazonas com salário de R$ 12 mil por mês”, explica.
E não é só. Outras questões, como o escândalo da Pampulha, materializado bem longe dos algozes do governo, na região do Alto Solimões, lá na fronteira do Brasil com a Colômbia e o Peru, além da “farra aérea” com dinheiro público, engrossam o gordo questionário de Figueira.
Em entrevista concedida ao REPÓRTER, a suposta farra aérea capitaneada pelo governador estaria custando R$ 2 milhões por mês aos cofres do Estado. E por conta disto, ele (Arthur Neto), pediu, por meio da mesa diretora do Senado, ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, informações sobre destino, tripulantes e passageiros de aviões particulares utilizados pelo governador do Amazonas.
“As acusações que pesam contra o chefe do Executivo do Estado são extremamente graves. O senador precisa dizer na ALE se o governador de fato fez farra aérea com aluguéis do Cessna Citation III e do Citation Excel para suas diversas viagens para fora do Amazonas e do Brasil”, comenta.

Denúncias do senador

1 – Irregularidades do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamin), relativas a compra sub-faturada de terrenos, vendidos ao estado superfaturados;
2 – Terrenos adquiridos por “laranjas” a R$ 2,4 milhões, no bairro de Santa Etelvina, repassados ao Estado por R$ 23 milhões, alguns dias depois;
3 – Dispensa de licitação na Central de Medicamentos (Cema), no valor de R$ 20 milhões;
4 – Mais de R$ 70 milhões distribuídos entre seis empreiteiras “amigas” do poder, a pretexto de enfrentamento às fortes chuvas de 9 de abril do ano passado;
5 – A “farra aérea”, que usa “laranjas” para adquirir aviões que custam, em aluguéis, cerca de R$ 2 milhões ao erário;
6 – O escândalo da BR-307, que liga o município de Benjamin Constant ao município de Atalaia do Norte. Haveria duplicidade em repasses de dinheiro estadual e federal para a construção;
7 – R$ 165 milhões para obras de infra-estrutura em sete municípios da região do Alto Solimões, dos quais R$ 18 milhões foram pagos por obras “fantasmas”, inexistentes, antecipadamente.

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