Polícia Técnica – Félix Valois

As denúncias da doutora Lorena Baptista, presidente da Associação dos Peritos, reacenderam as discussões sobre as condições de trabalho daqueles profissionais no âmbito da polícia técnica em nosso Estado.
Comoveu-me, confesso, o senso de lealdade do delegado Lázaro Ramos que, enfaticamente, defendeu o “status” de hoje, sustentando que o setor está aparelhado para o cumprimento de suas obrigações.
É compreensível, e até elogiável, mas, lamentavelmente, a verdade é bem outra. Militando na advocacia criminal há mais de quarenta anos, sou testemunha viva da precariedade com que lida a perícia nesse campo específico. Não há nada de mais corriqueiro, por exemplo, do que a afirmativa nos laudos de que não foi possível identificar se o sangue encontrado era humano, pela falta de reagentes…
Note-se que, em se tratando do crime de homicídio, esse é um detalhe que pode ter influência determinante no destino do subseqüente processo, de tal maneira que sua ausência deixa de mãos atadas todos os que atuam no cenário forense.
O juiz da Vecute, doutor José Ribamar Soares, chamou a atenção para o problema no campo específico do crime de drogas, eis que, sem o laudo definitivo, capaz de comprovar o tipo de substância apreendida, não resta a mínima possibilidade de levar adiante o feito processual.
Longe de mim a intenção de discutir a capacidade técnica dos profissionais envolvidos no assunto. Ao que me consta, são de competência comprovada. Não lhes foi ensinada, contudo, a técnica de realização de milagres, de tal maneira que, sem o auxílio do mínimo de tecnologia, todo esforço se queda inútil.
A dura comprovação é a de que, no Amazonas, o delinqüente mais reles só não realiza o “crime perfeito” se não quiser. Não havendo flagrante (e, assim mesmo, olhe lá, como é o caso das drogas), ninguém espere a elucidação de um crime através da perícia e da investigação.
Lembro só dois fatos: há quinze anos, meu amigo Waldemar Pedro Neto foi trucidado dentro de seu apartamento; há dez anos, outro amigo, o doutor Armando Jimenes Filho, teve seu corpo abandonado num varadouro. Até hoje não se sabe quem os matou.

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