Quem precisa de polícia?

Nos anos 60, Só para arrematar este informativo, vale acrescentar que toda a oficialidade da PMAM da época era formada apenas por quatro coronéis (o chefe da Casa Militar, o comandante geral, um médico e um odontólogo)

Cerca de R$ 20 milhões é a bolada que o povo paga todos os meses aos mais de sete mil integrantes da Polícia Militar. Apesar disto, a insegurança campeia solta em todo o Estado do Amazonas. Ou seja, não há segurança em Manaus, e muito menos, no interior onde o quadro é de calamitoso abandono. Salvo raras exceções, é claro.
Contudo, alegando “solucionar” esse problema para dotar Manaus de policiamento efetivo e visível nas ruas – que é o que interessa à população – o competentíssimo e inteligente governador do Estado, Eduardo Braga, teve uma idéia luminosa: aumentar o efetivo atual da PMAM em mais mil homens.
Ou seja, o povo do Estado do Amazonas, vai arcar com uma despesa mensal adicional superior a três milhões de reais somente com a folha de pagamento, alimentação e outros gastos com esse pessoal todo. E aqui pergunta-se: não sairia bem melhor para a decantada “segurança pública” e mais barato para o contribuinte amazonense, se o iluminado governador, ao invés de contratar mais mil soldados para engordar nos quartéis, fizesse o atual efetivo existente trabalhar de verdade?
Pelo que se sabe, a Polícia Militar do Amazonas possui um efetivo superior a sete mil policiais, dos quais 10 % está no Interior do Estado e outros 30 % em diferentes destinos (leia-se “paquitos da PMAM”, que “fazem carreira” sem trabalhar para a Corporação e muito menos, para o povo). De qualquer modo, restam 60 % em Manaus, porém, fazendo o que?
Essa é a triste e dolorosa pergunta. Um simples cálculo aritmético mostra que 60 % de sete mil equivalem a 4.200 policiais militares só em Manaus. Isso é indiscutível. Agora quem é que vê 4 mil e 200 PMs policiando Manaus, diariamente?

Polícia dos anos 60

Os mais antigos hão de se lembrar. Em meados dos anos 60 o Amazonas tinha uma população aproximada de 800 mil habitantes, dos quais, 300 mil encontravam-se em Manaus. Nessa época, a Polícia Militar do Amazonas possuía um efetivo de cerca de 800 praças (subtenentes, sargentos, cabos e soldados) e 20 oficiais na ativa. Do efetivo de 800 praças, 700 permaneciam em Manaus e os 100 restante era destacados para o interior.
Em Manaus, eles eram distribuídos por quatro sub-unidades, a saber: a CCS, com cerca de 180 elementos, a Companhia de Guardas, com 130 homens, responsáveis pela guarda de prédios públicos, como o Palácio Rio Negro, penitenciária e outros; Companhia de Trânsito, com 130 praças e o Grupamento de Policiamento Urbano (GPU), mais tarde Grupamento de Policiamento Ostensivo, que adotou a idéia do Rio de Janeiro das duplas “Cosme e Damião”. O GPU possuía o maior efetivo dentro da PMAM, com cerca de 360 homens.
Naquela época, os policiais destacados para servirem em delegacias do interior eram tirados aleatoriamente de quaisquer das quatro subunidades mencionadas e a PMAM não dispunha de um comando específico para o interior.
De um modo ou de outro, vale lembrar que em meados dos anos 60, uma média de 9% do efetivo da corporação e outros 5 % encontravam-se eternamente em gozo de férias, ou doente e havia um percentual mínimo (cerca de 1 %), nas tradicionais “disposições” e que, portanto não trabalhavam na corporação.
Fazendo um novo cálculo, é válido afirmar que cerca de 15 %, ou seja, 123 policiais do total de 820, não trabalhavam, enquanto os demais 697 faziam jus aos salários pagos pelo povo.
Só para arrematar este informativo, vale acrescentar que toda a oficialidade da PMAM da época era formada apenas por quatro coronéis (o chefe da Casa Militar, o comandante geral, um médico e um odontólogo), quatro tenentes-coronéis, quatro capitães, dois primeiros tenentes e seis segundos tenentes. Entre as praças, havia três sub-tenentes, nove primeiros-sargentos, doze segundos e dezoito terceiros, além de 38 cabos (cerca de 80 elementos), sendo que todo o restante do efetivo, ou 740 homens, era formado apenas por soldados.

PM mais atuante e eficiente

Nos meados dos anos 60, a Polícia Militar do Amazonas não dispunha de cavalos e suas únicas viaturas eram um automóvel Simca “Chambord” usado pelo Comandante Geral, uma caminhonete DKW “Vemag” usada pelo subcomandante, duas motocicletas de marcas indefinidas e um caminhão “Studebaker” tipo caçamba.
Os três últimos veículos ficavam o ano inteiro parados no pátio do quartel e só às vésperas dos dias 5 e 7 de Setembro eram repintados, recuperados, tinham os tanques cheios e iam para o desfile. Pregassem ou não durante as festividades, retornavam ao pátio do quartel e voltavam ao ostracismo e inércia para só ressuscitarem no ano seguinte.
Em face disto, todo o policiamento de Manaus era feito a pé e se alguma patrulha tivesse que ir rapidamente para algum local mais distante, iria de ônibus ou levada “de carona” por qualquer um, fosse por obra e graça de algum órgão público ou mesmo, por particulares.
Como os 360 homens do GPU compunham a subunidade da PMAM responsável pelo policiamento ostensivo da cidade, menos os 15 % dos “policiais inativos” mais uma dúzia de “destacados” no interior, sobravam-lhe 294 sargentos, cabos e soldados para cumprir a tarefa de dar segurança à população de Manaus.
Vale lembrar, ainda, que esses 294 policiais eram distribuídos de tal modo nas ruas que todos os setores críticos da cidade eram policiados e assim, tinha-se policiamento nas praças, nas ruas, nos cinemas, nos bancos, nos teatros, nas repartições públicas, nos hospitais e se houvesse uma emergência e o único telefone da Corporação tocasse, podem crer que o socorro chegaria em menos de uma hora ao local aonde se fizesse necessário. De quebra, naquela época, a PM era responsável pelo policiamento de todo o Amazonas e não havia seguranças particulares neste Estado.

O que faz a polícia, hoje?

O que fazem em Manaus os 4.200 PMs que não estão doentes, nem de férias, nem trabalhando no Interior do Estado, nem estão “à disposição” de alguém, nem “em diferentes destinos”? Estão nas ruas trabalhando e fazendo jus ao que nós, o povo, lhes pagamos? Ou se não, estão fazendo o quê?
Resposta: estão engordando nos quartéis, onde passam dias e noites jogando dominó, fazendo continências e servindo de “boys” para os oficiais (os verdadeiros “donos” da corporação). De resto, todos esses apenas gastam fardamento, calçados, material de expediente e ganham vantagens que, muitas vezes, chegam a dobrar os salários.
Enquanto isso, o Estado do Amazonas paga a um professor, com formação de nível superior, a merreca de R$ 900,00 mensais.
Observação: o professor não tem direito a passagem de graça nos ônibus, não recebe alimentação do estado e muito menos fardamento ou calçados. Professor, também, não pede propina aos alunos.
Mas um soldado PM recebe tudo isto e bem mais. Pra começar seu grau de instrução só precisa ser o ensino fundamental. Aí, cada candidato faz um “curso de formação” de soldados e seis meses depois é lotado definitivamente em uma unidade qualquer da PMAM.
Em seus quartéis, cada praça (soldado, cabo, ou sargento), tem apenas as obrigações de chegar para a chamada às 6h30 e daí, faz física, treina qualquer coisa e vai para sua repartição fazer serviço burocrático, eternas faxinas e servir de “boy” para os oficiais. Resumindo: mensalmente, no mínimo, um soldado ganha cerca de R$ 1.300,00; um cabo, cerca de R$ 2 mil e um sargento, com escolaridade de nível médio, a acima de R$ 2,5. Todos os oficiais da PMAM ganham acima de R$ 4 mil. E um professor tem tufar a veia do pescoço para ganhar suados R$ 900,00 por mês. Por quê?

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