Spray de Pimenta – Jorge Laborda

Spray de pimenta no dos outros é refresco de amora (está na moda).

No noticiário da televisão e nos jornais, quando não estão falando mal do Lula ou da Dilma Rousset, para justificar o jabá que recebem, não rola uma edição que não tenha uma manchete de que alguém foi atacado com spray de pimenta.
Ou é a polícia que joga spray em vândalos que querem linchar um casal de São Paulo que inventou um novo esporte, jogar criancinha pela janela, só para ouvir o som da queda, ou é torcedor do Palmeiras, jogando spray nos jogadores do São Paulo, ou é um travesti, que cegou o cliente casado, senador da república, que nas horas vagas era passivona e ousou não querer pagar pelo sabão, enfim, muitos casos em que a utilização do tal spray resolve a questão magicamente.
Que finalidade maravilhosa deram para a pimenta! Além de servir para melhorar o gosto das comidas, servir de fixador para perfumes, como corretivo para criança que não quer largar a chupeta, deram mais essa utilidade para a plantinha. Deixar atordoada gente chata que fica pegando no pé dos outros ou que pode se tornar uma ameaça para o status quo.
Que maravilha, que excelente! A humanidade não pára de surpreender. Quando a gente, que é barezinho, pensa que já viu de tudo, lá vem outra marmota para nosso espanto.
Estou louco de vontade para saber onde compra. Já estou pesquisando no santo Google, porque agora tudo é no Google. Precisa de um pau maior, vai no Google, precisa de um homem que banque, bata e trate como uma mulher normal, vai no Google. Tudo é Google.
O mundo não é gay, como dizem as bibas 171, o mundo é Google. Quando achar o spray e conseguir comprar, já tenho umas vítimas em potencial. Primeiro vai ser meu amorzinho que não quer mais dá pra mim e não me ouve mais. Enjoou.
Vou atrair para perto, espirrar o spray, imobilizá-la e fazer com que me ouça. Vou explicar para ela que ainda estou sozinho, apaixonado, como um objeto não identificado, que não caibo mais em si nem em mim e perguntar o que vou fazer agora, livre, mas sem você, e pedir para ela entender que agora eu vou cuidar bem melhor das coisas que eu amo e vou parar de falar clichês.
Segundo, vai ser em mim mesmo para experimentar. A pessoa não pode passar pela vida sem experimentação das coisas, senão corre o risco de ficar out. E ser out não é tudo de bom.

Enfim, dar uma utilização menos fuleira para o spray de pimenta.

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