Entrevista – Sérgio Lúcio Mar dos Santos Fortes

Sangue novo na Polícia Federal

Sérgio Lúcio Mar dos Santos Fortes é novo Superintendente Regional do Departamento de Polícia Federal no mazonas. Delegado de carreira da PF há 12 anos, Fortes acumula no seu currículo o título de advogado Cível, Criminal e Trabalhista, além dos cargos exercidos como chefe de gabinete do Procurador-Chefe da Polícia Rodoviária Federal no Amazonas, delegacia de Repressão a Entorpecentes, delegado regional executivo e no combate ao crime organizado, superintendente regional do DPF em Roraima. O jovem superintendente conversou com o REPÓRTER nesta quinta-feira, 8, e falou sobre o desafio que lhe aguarda não só no combate ao crime organizado, como o narcotrárico e a prostituição, mas também sobre a atividade das ONGS na região e sobre a política indigenista. Acompanhe:

REPÓRTER – Como se sente sendo filho da terra e retornando a Manaus como autoridade máxima do DPF em todo o Estado?

Sérgio Lúcio – Sinto-me à vontade, pois não é a primeira vez que trabalho em minha terra, onde tenho muitos amigos, muitos conhecidos e onde já tive oportunidade de prestar bons serviços não só à Polícia Federal, mas ao Amazonas e ao Brasil.

REPÓRTER – Qual a orientação geral recebida em Brasília (DF) para o trabalho na Amazônia Ocidental?

SL – O diretor geral da Polícia Federal, Dr. Luiz Fernando, depositou total confiança em mim e apenas me determinou que mantivéssemos todo o nosso conjunto funcionando de tal modo a maximizar os resultados obtidos. Para isso, me deu ampla liberdade, mas dentro dos limites legais cabíveis, claro!

REPÓRTER – Quais os recursos humanos que a PF coloca à sua disposição para cumprir a tarefa que lhe cabe?

SL – Não revelamos nosso efetivo, mas garanto que temos a quantidade mínima adequada de pessoal para efetuar a imensa tarefa que nos cabe. Contudo (brincou), não seria mal se houvesse mais gente (risos).

REPÓRTER – A PF do Amazonas dispõe do materiais necessário ao cumprimento da sua missão?

SL – Materialmente, não nos falta nada. A Superintendência do Amazonas dispõe do melhor material do mundo sob todos os aspectos. Armamento por exemplo, estamos iguais à polícia secreta alemã e melhor que o FBI, uma vez que nossas armas padrão são a pistola P9S e a sub-metralhadora MPA5, ambas fabricadas pela “Heckler und Koch” (ou simplesmente “HK”) alemã e usando munição de guerra calibre 9mm. Mas dispomos de inúmeros outras armas e equipamentos, muitos dos quais, sigilosos..

REPÓRTER – Qual o grau de dificuldades que prevê encontrar para realizar esse trabalho?

SL – Bem… nesta vasta região, as maiores dificuldades sempre são logísticas entre as quais, destaca-se a necessidade de transportes para longas distâncias para locais de acesso difícil. Mas, para isto, contamos com total ajuda das Forças Armadas. A outra dificuldade é que, às vezes, nos ressentimos de uma certa falta de autonomia, pois se a tivéssemos, poderíamos atuar com maiores rapidez e eficácia no combate ao crime organizado.

REPÓRTER – Como seus comandados agirão no combate ao narcotráfico, à prostituição, ao terrorismo internacional, ao contrabando, lidar com os problemas do MST, monitorar às FARC e controlar os trabalhos das ONGs?

SL – Com todo o rigor que a Lei permitir, mas sempre dentro da Lei. Estamos aqui para cumprir a Lei e fazer cumpri-la. Cumpriremos todas as determinações legais custe o que custar, doa a quem doer, ou morreremos tentando fazê-lo. Contudo, espera-se que todos os demais pensem assim..

REPÓRTER – Como pretende agir nos conflitos entre posseiros e os índios da região, mormente os das imensas reservas fronteiriças?

SL – Índio é cidadão brasileiro e tem que agir como cidadão brasileiro. Não pode sair por aí agredindo, matando, nem destruindo. Quem fizer isso, será autuado. Mas os civilizados também não podem sair por aí matando índio e se tentarem, a gente vai lá, apreende as armas e se estiverem ilegais vai todo mundo em cana. Se algum doido resistir, pior pra ele. Afinal, não se pode permitir que o mundo volte à barbárie..

REPÓRTER – A ação da Polícia Federal na região é orientada, ou afinada com organismos internacionais?

SL – Claro, que neste mundo globalizado, um país com a importância econômica e estratégica do Brasil não pode se isolar como se fosse uma Coréia do Norte. Nesse contexto, digo-lhe que,estamos, sim, em constante afinidade com as policiais de todos os países que fazem fronteira com o Brasil através do Amazonas, bem como, com todos os órgãos judiciários e policiais de todos os estados vizinhos. Além disso, não podemos negar que mantemos laços estreitos de cooperação com os organismos norte-americanos anti-terroristas e de combate ao narcotráfico, pois o Brasil não pode prescindir da ajuda do grande país do Norte.

REPÓRTER – Com quais órgãos federais, estaduais (incluindo polícias) e municipais trabalhará mais estreitamente?

SL – Com todos, sempre que for possível firmar parcerias afinadas e eficazes. Citamos, inclusive, o Ibama, como exemplo de boa parceria.

REPÓRTER – Com quais ONGs (incluindo igrejas) pretende trabalhar?

SL – Não é norma da Polícia Federal programar trabalhos com esse tipo de entidade mas, se for necessário, trabalharemos sim, desde que a ONG, igreja, ou organização civil seja séria, bem-intencionada e sobretudo, se agir dentro da Lei. Por que não?

REPÓRTER – Alguma delas está vetada pelo Ministério da Justiça, ou pelo Planalto? SL – Bobagem, nunca aconteceu isso!

REPÓRTER – Haverá novas “operações” e quais serão elas e contra o quê?

SL – Não tenho condições de afirmar se haverá essa ou aquela operação, tendo em vista que elas surgem à medida que ocorrem delitos que mereçam desencadeá-las. Aí eu garanto que haverá novas operações sim, desde que sejam necessárias!

REPÓRTER – E as antigas operações, cessarão ou continuarão?

SL -As que estão em andamento continuarão, pois vêm surtindo bons efeitos e estão dando certo.”

REPÓRTER – A orientação dessas “operações” são de caráter políticas?

SL – Bobagem, isso nunca aconteceu na Polícia Federal. O problema é que muita gente quer dar conotação política a delitos que realmente ocorreram e aí como é que fica? É ‘perseguição’ de quem quando se autua na forma da lei indivíduos flagrados cometendo delitos? É a tal coisa… a Lei está aí para todos e se for desrespeitada, quem o fizer será responsabilizado diante da Lei através da Justiça, que é soberana. Nesse caso, o problema é de quem for bandido. Não é nosso! Só estamos cumprindo nossa função legal.

REPÓRTER – Como será o seu relacionamento com a imprensa, o senhor pretende dar visibilidade a suas ações como enquanto superintendente da PF?

SL – Desde o início da minha vida pública sempre tive uma convivência salutar com toda imprensa. Penso que, desde que bem exercido, o papel da imprensa é fundamental e indispensável para a democracia.

REPÓRTER – Superintendente, a lentidão da máquina pública atrapalha de algum modo as atividades da PF?

SL – De certo modo, sim. Gostaríamos que a máquina estatal fosse mais ágil em também, desenvolvesse mecanismos capazes de evitar que as mesmas fraudes voltassem a se repetir muitas vezes nos mesmos setores críticos da administração pública. Digo isso como cidadão, pois sei que o sistema é lento mesmo.

REPÓRTER – E quando esses problemas (corrupção, tráfico de influência, formação de quadrilha, etc.) se repetem como fica o moral dos atores envolvidos em operação anteriores?

SL – De frustração. Para nós policiais, é chatíssimo cumprirmos uma tarefa com pleno êxito e, em seguida, vermos o mesmo problema repetir-se nas mesmas condições anteriores. De quebra, o Brasil perde e gasta duplamente com isso. De qualquer modo, damos uma satisfação à sociedade, que desconhece muito da ação do DPF e que só fica sabendo das coisas que acontecem ostensivamente. Mas contamos com a Imprensa para divulgar o que possa ser divulgado.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s