Visita Presidencial – por Félix Valois

Na terça-feira, pouco depois do meio-dia, ia eu entrando no “Magic Planet” (e por que não Planeta Mágico?), ali no V8, perto da Paraíba. Era aniversário do meu neto Fábio Junior. Ao longe, um barulho ensurdecedor que, de logo, imaginei oriundo de cornetas e apitos das crianças.

Não era. Eram dezenas de sirenes, buzinas, roncos de viaturas, motocicletas, ambulâncias, a cada momento mais audíveis e intensas.

Aí, pensei tratar-se de outra operação policial federal, talvez a Candiru Sodomita, nome que me veio à cabeça porque manteria íntegro o gosto já demonstrado pelas denominações zoológicas e bíblicas.

Pelo horário, percebi que estava novamente em erro. Esse tipo de trabalho sempre começa de manhã bem cedinho, de tal maneira que não se perca nem mesmo a primeira edição dos jornais televisivos matinais. Do contrário, a coisa acaba sendo mesmo sigilosa e aí, então, perde a graça.

Dei-me conta da realidade. Era a comitiva oficial que transportava Sua Excelência, o Presidente da República, o qual, como mandam o protocolo e as precauções, não pode descurar do aparato, já que, segundo a tradição, seguro morreu de velho.

Depois, li nos jornais que o Chefe do Executivo, entre outras questões relevantíssimas de Estado, tinha acabado de inaugurar uma caixa d’água e estava se dirigindo para assistir a parte dos trabalhos dos garis aquáticos que atuam no Prosamim.

Claro que entre as duas extenuantes tarefas, o Presidente já tinha conseguido resolver a difícil questão jurídica da natureza dos buracos de Manaus, estabelecendo quais são os municipais e quais os estaduais, de sorte que Prefeito e Governador não se engalfinhem pela disputa do cívico direito de tapar as crateras.

Ainda com tudo isso esclarecido, permanecia em mim uma sensação esquisita. Caiu-me a ficha. É que, na época da ditadura, todas as vezes em que um ditador de plantão vinha a Manaus acontecia a mesma parafernália. Mas eu nunca tinha podido ver nenhuma delas. Uns dois ou três dias antes do espetáculo, eu e outras pessoas recebíamos amável e firme advertência da DOPS de que não deveríamos sair de casa.

Coisas da vida. Serviu-me para refletir que, mesmo com Lula, sou mais feliz agora. O cortejo é bonito.

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