Médicos preocupados com sucateamento da saúde

Na semana passada faltava no 28 de Agosto até Vitamina C que é de uso diário para o paciente internado nas Unidades de Tratamento Intensivo.

A propaganda oficial do governo do Amazonas tem sido pródiga, até demais, em afirmar que o estado é o que mais investe no setor da saúde em comparação aos demais da federação brasileira. O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em uma das sua vindas a Manaus, ano passado, declarou: “o governador Eduardo Braga investe 25% do seu orçamento na saúde (equivalente a R$ 2 bilhões) e há governadores que investem 5%”.
Tomadas como verdadeiras as informações oficiais, nunca se investiu tanto em saúde no Amazonas quanto no governo Eduardo Braga – hoje, um dos mais festejados políticos brasileiros no exterior, onde atualmente se encontra para uma séria de palestras e encontros de negócios.
O que impressiona, entretanto, é o visível desbaratamento da rede pública de saúde.
Nos prontos-socorros, que são as unidades de urgência e emergência, falta quase tudo: leitos de enfermaria, leitos de reanimação, leitos de UTI, equipamentos e medicamento.
Medicamentos?
É isso mesmo: me-di-ca-men-to. Medicamento como Vitamina C, que é de uso diário para o paciente internado nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) e que na semana passada não tinha no Pronto-Socorro 28 de Agosto, conforme contou a equipe do REPÓRTER um médico plantonista.
Medicamento como Clexene 02,04,06 e 08 % e sexfarina, que é um anti-coagulante e que faz parte, também, da rotina da prescrição de UTI. Esse produtos , não poderia ser prescritos no PS 28 de Agosto por que não tinha.

Médicos reclamam por falta de capote

E por incrível que possa parecer, os médicos do 28 de Agosto não dispunham sequer do capote (avental descartável), que é a proteção mínima e básica para quem lida todos os dias com pacientes portadores de todas as formas de doença.
Utilizados, principalmente, em ambientes de fácil contaminação, como UTI e Centros Cirúrgicos, esses capotes – espécies de barreiras usadas para manipular o paciente – são artigos de luxo nas unidades de urgência e emergência de Manaus. Mesmo na hora do banho do paciente, na troca de curativos, não é disponibilizado ao profissional.
“Existem vários tuberculosos diagnosticados no 28 de Agosto e não temos a máscara de barreira – único meio de nos preservar e de fazer o isolamento respiratório na hora de cuidar do paciente”, assegura um outro médico, plantonista tanto do 28 de Agosto quanto do PS João Lúcio, na zona leste. “Usamos a mascara comum para lidar com pacientes com tuberculose”, completa.
Outra fonte de uma unidade de urgência e emergência, garante que tem época que não tem nada e tem época que aparece algumas coisas e faltam outras. “Assim vamos levando”, comenta.
“Não sei bem o motivo do problema. Pode ser alguma coisa relacionada à gestão, ou talvez ao não-pagamento a fornecedores. O que não consigo entender é porque a Central de Medicamentos (Cema) distribui para João Lucio e falta no 28 de Agosto, na maternidade Balbina Mestrinho, Ana Braga e outros. Não dar para entender”, admite.

Semi-intensiva vira UTI

Programada e planejada para ser uma unidade semi-intensiva, conforme avaliou um técnico de saúde lotado no Pronto-Socorro 28 de Agosto, a UTI 2 de alta complexidade atende 10 pacientes – todos com ventilação mecânica – num espaço fisco inadequado e em visível estado de deterioração. Nessa UTI existem apenas cinco funcionários para atender pacientes cirúrgicos, todos entubados, pacientes que apresentam insuficiência respiratória e várias outras complicações.
Embora todos os equipamentos, ainda assim os profissionais tem dificuldade em utiliza-los, como o a utilizá-los, como o monitor cardíaco que oferece pouca visualização. “A visualização é ruim para assistir a um paciente grave”, explica.
Com relação ao material permanente, técnicos da UTI garantem que não existe reposição há quatro anos. Os equipos de soro, segundo eles, assim como as mesas de procedimentos, as camas, os carrinhos de equipamentos, como elétrons – todos estão enferrujados.
“Os pacientes estão deitados em leitos enferrujados, as bombas infusão NXDR não fazem cálculos com vírgulas. Temos grande dificuldade na medicação para a bomba de infusão. Para infundir drogas, elas precisam de um controle rigoroso durante a entrada de líquido no paciente. O equipamento que dispomos não nos oferece condições de segurança”, ”, preocupam-se.

Acompanhantes descansam no chão

O número de pacientes atendido nos corredores das unidades de urgência e emergência da cidade aumentou drasticamente nos últimos anos, principalmente, no Pronto-Socorro João Lúcio. E com os corredores apinhados não sobra espaço para mais nada – muito menos para um simples banco para o conforto do acompanhante do paciente. Logo, a única opção para o acompanhante – aquele cidadão que não pode requisitar os confortáveis serviços do Albert Einstein, em São Paulo, é ficar debaixo das macas.

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