Prostitutas desejam o reconhecimento da sociedade

Associação foi fundada há menos de um mês e já conta com mais de duzentas associadas, que estão empolgadas com a entidade e buscando se organizar.

Elas são conhecidas como mulheres de vida fácil, mas a coordenadora das Amazonas (Associação das Prostitutas do Amazonas), Denise Mara da Silva, discorda. “A profissão não é fácil. Para ficar nela, a mulher tem de ser guerreira”, afirma ela, acrescentando que a associação foi fundada com o objetivo de garantir os direitos das profissionais do sexo, o respeito da sociedade que ainda as discrimina e levar informações sobre doenças sexualmente transmissíveis (DTS/Aids).
De acordo com Denise, a prostituição é uma profissão como outra qualquer e por isso é necessário que os direitos trabalhistas das prostitutas sejam garantidos, inclusive com aposentadoria. A coordenadora explica que as “Amazonas” cumprem uma carga horária normalmente e, ao final do expediente, elas voltam para suas casas e vão cuidar das famílias. “O que nós queremos é ser reconhecidas pela sociedade”, diz.
Denise informa que já tramita na Câmara dos Deputados, em Brasília, um projeto de Lei que regulamenta a profissão, estabelecendo até condições para as profissionais do sexo requererem aposentadoria. Segundo a coordenadora, as “Amazonas” estão engajadas na aprovação desse projeto e por isso estão discutindo com secretarias ligadas aos direitos humanos e de saúde. “Queremos nos organizar, ter o respeito da sociedade e sentirmos que somos bem-recebidas nessas secretarias”, conta Denise.
Conforme explica Denise, a associação foi fundada há menos de um mês e já conta com mais de duzentas associadas, que estão empolgadas com a entidade e buscando se organizar. Entre as principais reivindicações das “Amazonas” está a prevenção contra doenças sexualmente transmissíveis. Segundo a coordenadora, as profissionais do sexo estão conscientes das formas de prevenção, mas enfrentam a resistência de seus clientes em usar camisinha.
Denise defende a veiculação de campanhas educacionais voltadas para os homens que usam os serviços das profissionais do sexo, informando-os da necessidade de usar camisinha. “Nossas meninas até se recusam a sair com certos clientes porque eles não querem usar preservativo”, conta Denise, informando que, hoje, um grande grupo de risco de DST/Aids é justamente o de mulheres casadas.
Segundo a coordenadora, a associação está preparando palestras e oficinas para orientar sobre a importância das “Amazonas” se protegerem contra DST/Aids, que vem a ser o principal risco da profissão. Ela acrescenta que outro fator de risco é a discriminação, porque somente a palavra prostituta já assusta muita gente. “Não queremos ofender ninguém, só exigimos sermos respeitadas como pessoas que trabalham e sustentam suas famílias”. defende a coordenadora.

Fortalecimento da categoria

As “Amazonas” fazem parte da Rede Brasileira de Prostitutas (RBP), cujo objetivo é promover a articulação política do movimento organizado de profissionais do sexo e o fortalecimento da identidade profissional da categoria. A RBP luta por pleno exercício de cidadania, pela redução do estigma e da discriminação e por melhoria de qualidade de vida das prostitutas.
Para a RBP, suas associadas têm direito a receber informação de que seu trabalho é regulamentado pelo Ministério do Trabalho, com direito a se aposentar e obter os benefícios do INSS, ser incluídas no Censo e em outras contagens populacionais como prostitutas e ter prioridade na vacinação contra Hepatite C no serviço público.
A associação participa ainda do projeto Sem Vergonha, que luta pela conquista dos direitos de regulamentação da profissão em todas as cidades do Brasil, em parceria com serviços públicos das áreas de direitos humanos, saúde e de serviço social. “Temos de mudar a realidade das profissionais do sexo no Brasil, porque somos discriminadas e não queremos a perpetuação dessa situação”, cobra Denise.

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