Abandono e caos na Manaus Moderna

A construção da “Manaus Moderna” criada para melhorar o fluxo de veículos pesados do Porto de Manaus para o Distrito Industrial parou faz tempo

No entorno da “Manaus Moderna”, filas de carros estacionados estrangulavam o cruzamento de duas ruas estreitas.
Um caminhão pequeno – um “Mercedinho” – carregado de mercadorias tentou entrar numa daquelas artérias e ficou “entalado”. Logo se formaram três filas de veículos nas duas ruas. Enquanto alguns curiosos foram chamar os donos dos veículos próximos ao buzinaço para que o pequeno caminhão pudesse passar, transcorreram 35 minutos.
Foram 35 minutos de “buzinaço”, motoristas berrando palavrões, fumaceira causada pelos motores não-desligados, sem aparecer um guarda de trânsito, fosse ele PM, “azulzinho”, ou pelo menos um escoteiro para resolver a situação. O pandemônio só cessou quando o caminhão pôde passar e ir embora.
E diga-se de passagem: mais um pouco na frente pode ser encontrado um “PM Box”, lotado de soldados barrigudos, paquerando o mulherio passante.
Logo, quem passa por ali, mesmo sem ser doutor conclui: a Manaus Moderna é sinal de absoluto abandono. É ausência de estado, mesmo. É má qualidade de vida. É falta de competência de quem governa.

Lixão flutuante

Na orla da esquecida Manaus Moderna, algo bem pior do que o buzinaço provocado pela confusão no trânsito, pode ser constatado mesmo pelos mais distraídos seres viventes que transitam naquele trecho da cidade que tinha tudo para ser um dos lugares mais aprazíveis da capital da Zona Franca.
Ao contrário disso, toneladas de lixo, que acompanham a subida do rio são uma verdadeira agressão aos olhos, principalmente, do turista que embarca e desembarca no local em busca de cenários diferentes.
Mesmo antes de chegar na Manaus Moderna é possível sentir o mau cheiro não só do lixo, mas também dos esgotos, que se misturam com a fumaça dos veículos e dos churrasqueiros que infestam aquele ambiente esquecido.
É claro que tudo isso é um prato cheio para atrair moscas e espantar os visitantes que em vez do sonhado turismo ecológico se deparam com toda sorte de insetos, como moscas, baratas, ratos, cobras, lagartos, mosquitos da dengue, febre-amarela e malária, considerados pelos dirigentes locais como manifestações da natureza manauara – preservada pelos “operosos” governantes estaduais e municipais – na verdade, são a marca do turismo de exportação “made in Manaus”.

Parada no tempo

A construção da “Manaus Moderna” criada para melhorar o fluxo de veículos pesados do Porto de Manaus para o Distrito Industrial parou. Faz tempo que as obras travaram na “Manaus Moderna” e as que foram realizadas ainda no tempo da penúltima gestão do ex-governador Amazonino Mendes não foram concluídas e encontram-se lá, paralisadas e perdidas no tempo e no espaço, desgastando-se não só pelo pesado uso diário, mas, sobretudo, pela falta de manutenção por parte do poder público.
Até mesmo a restauração de uma das principais jóias arquitetônicas de Manaus, o vasto complexo do mercado “Adolpho Lisboa”, está parada há quase seis meses.
Enquanto o tradicional “mercadão” não é reativado, boa parte dos pequenos comerciantes que antes trabalhavam no seu interior espalhou-se pelas ruas ao redor do antigo prédio.
São verdureiros, peixeiros, fruteiros, barbeiros, barraqueiros e tarefeiros postados ou circulando com mercadorias, caixotes e fardos no entorno da “Manaus Moderna”, esbarrando nos transeuntes, para alegria dos “amigos do alheio” que circulam livremente naquela área que, a exemplo do restante da cidade, não tem segurança.

Perigo à vista!

Com o Negro enchendo acima da média, problemas adicionais vão surgindo. O principal deles é o solapamento das obras das muralhas de arrimo iniciadas há alguns anos e não-concluídas, fato que permite o surgimento dos primeiros buracos nos paredões, na pista de veículos e nas calçadas, passarelas e poucas escadas para  uso dos pedestres.
Por falar em pedestres, as escadas de acesso às embarcações atracadas na área são escassas, o que obriga carregadores e passageiros  entrar na água para adentrarem às embarcações.
Aliás, na “Manaus Moderna” é gritante a falta de respeito com os moradores, quer de Manaus, quer do interior do Estado, dos estados vizinhos ou até mesmo do exterior.

Palhaçada

Um dos seculares “nós da questão”, dizem respeito ao aproveitamento do Roadway como porto exclusivo para embarque e desembarque de passageiro. Ou seja, o velho cais flutuante foi restaurado, embelezado e entregue à população para funcionar como terminal de passageiros, em substituição às velhas “rampas” antes existentes nas escadarias dos Remédios e do Mercadão.
Mas isso virou balela grosseira. Na prática, os barcos continuam recebendo passageiros nas balsas da “Manaus Moderna”. O Roadway entrou em franca decadência; não passa de um aglomerado de bares imundos, mal-freqüentados, bagunçados e a depor contra o bom nome de Manaus, do seu povo e principalmente, da sua administração.
O turista desavisado que chega a Manaus, ao invés de vê-la como exemplo de  cidade moderna, como pretendiam alguns, testemunha uma das maiores palhaçadas do terceiro milênio, perpetrada por políticos fazedores de mera propaganda enganosa, a par da falsidade ideológica e o que é pior: com o aval de quase dois milhões de figurantes que pagam para servir de escada para meia-dúzia subir!

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