Editorial

Raposa Serra-do-Sol

O assistimos em Roraima, mais precisamente em Pacaraima, é mais uma tragédia anunciada. Há muito tempo se vem desenhando esse desfecho que agora põem em franco antagonismo os interesses mais díspares. Se Kafica quisesse produzir um romance com base em enredo mais absurdo não encontraria “matéria-prima” mais apropriada.
De um lado, o poder público engalfinhado numa confusão de dar dó. Organismos federais, estaduais e municipais “batem cabeça” e não são capazes de propor uma política adequada para o setor agrário brasileiro. Por conta disso, o campo vive conflagrado pelas ações “guerrilheiras” dos chamados “movimentos” como MST e quejandos.
De outro lado, os índios que não são mais totalmente índios, mas que ainda não são totalmente “brancos”, assessorados por ONGs de inconfessáveis interesses, em que se misturam padres, pastores, missionários e outros, promovem e advogam demarcações de imensas áreas de terras não sabe com que interesse. Vem agora o Comando Militar da Amazônia denunciar essa política como absurda e caótica, que na verdade é, pondo em cheque até mesmo a autoridade do Presidente da República, que exigiu explicações e parece que ninguém é capaz de dá-las, um pouco por culpa do próprio Lula, que assinou um decreto de demarcação de uma área contínua da reserva Raposa Serra-do-sol como a lhes prometer a breve independência como povo soberano.
Finalmente, as poucas terras nessa área realmente produtivas, cerda de 10%, são ocupadas por fazendeiros brancos e índios e por arrozeiros, os quais estão ameaçados de serem expulsos da área por decisões judiciais, sob o tacape da Polícia Federal e da Força Nacional, que já rendeu batalhas campais e uma prisão do prefeito de Pacaraima, acusado de vários crimes por conta de sua ocupação e dos embates com índios, ongueiros, padres, pastores e missionários, num imbróglio digno da mais surreal estória jamais produzida nestes trópicos.
Oxalá uma réstia de luz se faça ver na próxima decisão do STF quanto à mesma área se está ou não em conformidade com as regras constitucionais brasileiras. Nunca é demais esperar pela vitória do bom senso e da não-estupidez.

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